Ciências · Física · Módulo 1

Ótica das cores

Óptica: um universo de formas e cores

Este módulo trata da natureza da cor, da luz branca e do espectro visível, dos experimentos de Newton, da visão humana e da diferença entre mistura de luzes (aditiva) e de pigmentos (subtrativa).

Introdução

Há alguns anos, a mãe da noiva de um casamento numa pequena ilha da Escócia usava um vestido que alguns convidados viam como azul e preto e outros como dourado e branco. Depois que a foto foi publicada nas redes sociais, a polêmica cresceu — a publicação viralizou, ficou conhecida como #TheDress e entrou no radar da Ciência.

Fotografia do vestido conhecido como TheDress — alguns veem azul e preto, outros dourado e branco.
Vestido nas cores azul e preto, mas que pode ser visto como dourado e branco por algumas pessoas — depende do cérebro, do contexto e da iluminação assumida.

Para refletir

  1. Para ti, quais são as cores desse vestido?
  2. Na tua opinião, que fatores fazem com que um objeto, numa dada situação, seja visto com cores diferentes das suas cores “reais”?
  3. Afinal, o que é cor? Será uma característica intrínseca do objeto, da luz que o ilumina, ou depende de quem vê?

O que é a luz branca?

Newton descreveu algo assim: escureceu o quarto, fez um pequeno buraco na persiana para entrar um feixe de luz solar, colocou um prisma à entrada do feixe; a luz refratou-se no prisma e projetou cores vivas na parede oposta.
Experiência do prisma de Newton: luz branca dispersa num espectro.
Experiência do prisma de Newton. Embora não haja divisões nítidas entre as cores, convenciona-se em sete cores espectrais: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Todas se desviam em relação ao trajeto original; o violeta desvia-se mais e o vermelho desvia-se menos.

Esquema das cores do espectro visível (ordem aproximada).

Conclui-se que a luz branca é a composição de todas as cores do espectro visível. Com uma lente convergente e um segundo prisma, os feixes coloridos podem voltar a recompor-se em luz branca.

Decomposição, recombinação e Experimentum Crucis

Na representação esquemática da decomposição e recomposição da luz branca: luz branca entra num prisma de vidro e dispersa-se; uma lente convergente concentra os raios; um segundo prisma pode devolver um feixe de luz branca — o que mostra que as cores “estavam” na luz incidente.

No Experimentum Crucis (“experiência crucial”), Newton colocou um anteparo com uma fenda depois do primeiro prisma, de modo a deixar passar só uma cor (por exemplo verde). Essa cor, ao atravessar um segundo prisma, mantém-se verde (refracta-se, mas não se decompõe em outras). Assim provou que o prisma não cria cores: apenas revela as que já compõem a luz branca.

Luz branca dispersa por prisma, lente convergente e segundo prisma recompondo luz branca.
Recomposição da luz branca após dispersão por prismas e lente convergente.
Experimentum Crucis: anteparo com fenda a deixar passar só uma cor (verde) para o segundo prisma.
Experiência com anteparo e fenda — uma cor isolada não se decompõe no segundo prisma.

Cores primárias de luz

O físico britânico Thomas Young (1773–1829) mostrou que a luz branca (e as demais cores visíveis) pode ser obtida pela mistura, em certas proporções, de três cores. As cores primárias de luz são:

Daí surge o modelo RGB, base de ecrãs e iluminação aditiva.

Cores e óptica da visão

A córnea e o cristalino funcionam como lentes convergentes e formam imagens na retina (tecido nervoso na parte posterior do globo ocular). Num olho emétrope, a imagem do objeto é menor que o objeto, invertida e curvilínea.

Formação da imagem de um lápis no olho emétrope.
Esquema da formação da imagem de um lápis. Os humores aquoso e vítreo são líquidos de preenchimento; a esclera (“branco do olho”) e a coroide estruturam e protegem o globo.

A retina contém dois tipos de fotorreceptores: cones (sensíveis às cores) e bastonetes (sensíveis à luminosidade). A luz é convertida em impulsos nervosos que seguem pelo nervo óptico até ao cérebro; parte do processamento visual faz-se já no próprio nervo.

Esquema ou micrografia de bastonetes e cones na retina.
Os cones permitem visão das cores; os bastonetes, sensíveis à luminosidade, predominam com pouca luz.

Em retinas sem alterações como o daltonismo, há três tipos de cone, cada um mais sensível a uma cor primária espectral — vermelho, verde ou azul. A percepção das restantes cores (milhões de tons) resulta do processamento visual. Os cones pouco funcionam com pouca luz; por isso, à noite tudo parece mais acinzentado.

A cor de um objeto

Os nossos olhos reagem à luz que chega a eles. O que vemos são fontes de luz:

Quando dizemos que uma fonte é “amarela”, ela pode emitir luz monocromática amarela ou uma combinação (por exemplo vermelho + verde) que o cérebro interpreta como amarelo.

Cores primárias de pigmento

Misturar tintas (pigmentos) não se comporta como misturar luzes: cada camada absorve parte do espectro e reflecte o resto — por isso a mistura de várias cores de tinta tende para um castanho muito escuro, quase preto (“subtrair” cores à luz reflectida).

Mistura de tintas de várias cores com pincel no centro escuro.
A mistura de tintas de diferentes cores resulta num tom de castanho muito escuro.

Para sistematizar a cor dos objetos sob luz branca, usa-se a tríade subtrativa com primários ciano, magenta e amarelo (CMY). Sobreposições geram verde, vermelho e azul; as três juntas aproximam o preto.

Diagrama esquemático (mistura subtrativa — sobreposição aproximada):

Amarelo Ciano Magenta

Ciano + amarelo → verde; amarelo + magenta → vermelho; ciano + magenta → azul; as três → preto (idealizado). Em luz aditiva (RGB), os primários são os secundários em pigmento, e vice-versa.

Resumo

Ideias-chave

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