Óptica: um universo de formas e cores
Este módulo trata da natureza da cor, da luz branca e do espectro visível, dos experimentos de Newton, da visão humana e da diferença entre mistura de luzes (aditiva) e de pigmentos (subtrativa).
Introdução
Há alguns anos, a mãe da noiva de um casamento numa pequena ilha da Escócia usava um vestido que alguns convidados viam como azul e preto e outros como dourado e branco. Depois que a foto foi publicada nas redes sociais, a polêmica cresceu — a publicação viralizou, ficou conhecida como #TheDress e entrou no radar da Ciência.
Para refletir
- Para ti, quais são as cores desse vestido?
- Na tua opinião, que fatores fazem com que um objeto, numa dada situação, seja visto com cores diferentes das suas cores “reais”?
- Afinal, o que é cor? Será uma característica intrínseca do objeto, da luz que o ilumina, ou depende de quem vê?
O que é a luz branca?
- Aristóteles (384–322 a.C.) — Tratava as cores como propriedade dos corpos (como peso ou textura), na obra Das cores.
- Leonardo da Vinci (1452–1519) — No Tratado da pintura e da paisagem — Sombra e luz, defendia que a cor é propriedade da luz, não só do objeto.
- Isaac Newton (1643–1727) — Publicou Nova teoria sobre luz e cores (1672) e estudou a dispersão da luz branca ao atravessar um prisma.
Newton descreveu algo assim: escureceu o quarto, fez um pequeno buraco na persiana para entrar um feixe de luz solar, colocou um prisma à entrada do feixe; a luz refratou-se no prisma e projetou cores vivas na parede oposta.
Esquema das cores do espectro visível (ordem aproximada).
Conclui-se que a luz branca é a composição de todas as cores do espectro visível. Com uma lente convergente e um segundo prisma, os feixes coloridos podem voltar a recompor-se em luz branca.
Decomposição, recombinação e Experimentum Crucis
Na representação esquemática da decomposição e recomposição da luz branca: luz branca entra num prisma de vidro e dispersa-se; uma lente convergente concentra os raios; um segundo prisma pode devolver um feixe de luz branca — o que mostra que as cores “estavam” na luz incidente.
No Experimentum Crucis (“experiência crucial”), Newton colocou um anteparo com uma fenda depois do primeiro prisma, de modo a deixar passar só uma cor (por exemplo verde). Essa cor, ao atravessar um segundo prisma, mantém-se verde (refracta-se, mas não se decompõe em outras). Assim provou que o prisma não cria cores: apenas revela as que já compõem a luz branca.
Cores primárias de luz
O físico britânico Thomas Young (1773–1829) mostrou que a luz branca (e as demais cores visíveis) pode ser obtida pela mistura, em certas proporções, de três cores. As cores primárias de luz são:
- Vermelho
- Verde
- Azul
Daí surge o modelo RGB, base de ecrãs e iluminação aditiva.
Cores e óptica da visão
A córnea e o cristalino funcionam como lentes convergentes e formam imagens na retina (tecido nervoso na parte posterior do globo ocular). Num olho emétrope, a imagem do objeto é menor que o objeto, invertida e curvilínea.
A retina contém dois tipos de fotorreceptores: cones (sensíveis às cores) e bastonetes (sensíveis à luminosidade). A luz é convertida em impulsos nervosos que seguem pelo nervo óptico até ao cérebro; parte do processamento visual faz-se já no próprio nervo.
Em retinas sem alterações como o daltonismo, há três tipos de cone, cada um mais sensível a uma cor primária espectral — vermelho, verde ou azul. A percepção das restantes cores (milhões de tons) resulta do processamento visual. Os cones pouco funcionam com pouca luz; por isso, à noite tudo parece mais acinzentado.
A cor de um objeto
Os nossos olhos reagem à luz que chega a eles. O que vemos são fontes de luz:
- Primárias — emitem luz própria (chama, ecrã de telemóvel, monitor).
- Secundárias — refletem a luz incidente (a maior parte dos objetos à nossa volta).
Quando dizemos que uma fonte é “amarela”, ela pode emitir luz monocromática amarela ou uma combinação (por exemplo vermelho + verde) que o cérebro interpreta como amarelo.
Cores primárias de pigmento
Misturar tintas (pigmentos) não se comporta como misturar luzes: cada camada absorve parte do espectro e reflecte o resto — por isso a mistura de várias cores de tinta tende para um castanho muito escuro, quase preto (“subtrair” cores à luz reflectida).
Para sistematizar a cor dos objetos sob luz branca, usa-se a tríade subtrativa com primários ciano, magenta e amarelo (CMY). Sobreposições geram verde, vermelho e azul; as três juntas aproximam o preto.
Diagrama esquemático (mistura subtrativa — sobreposição aproximada):
Ciano + amarelo → verde; amarelo + magenta → vermelho; ciano + magenta → azul; as três → preto (idealizado). Em luz aditiva (RGB), os primários são os secundários em pigmento, e vice-versa.
Resumo
Ideias-chave
- A cor envolve luz, objeto, iluminação e interpretação no cérebro (#TheDress).
- Luz branca contém o espectro; prismas dispersam e podem recompor a luz.
- Primários de luz: vermelho, verde, azul (RGB).
- Olho: córnea e cristalino como lentes; retina com cones (cor) e bastonetes (luz).
- Pigmentos: tríade ciano, magenta, amarelo (CMY); mistura subtrativa escurece.