Português · Módulo 3

Encontrar a poesia

Encontrar a poesia

Produção de textos, imagens poéticas, revisão das três dimensões do poema, leituras de Florbela Espanca e Oswald de Andrade e textos de Antonio Cicero sobre poesia, pintura e arte.

Produção de textos

Produção de textos

Reflexão a partir de imagens ligadas à ideia de poesia: livros, luz, paisagem no livro, entre outras composições.

Livro aberto com luz e pássaros / páginas — imagem 1
Crianças em círculo — pintura — imagem 2
Livro com paisagem “dentro” das páginas, caneca e pena — imagem 3

As imagens desta secção podem ser as que encontraste ao pesquisar, num motor de busca, os termos poesia e imagens poéticas.

  1. Consideras que elas são, de facto, uma boa representação desses termos? Por quê?
  2. Qual delas melhor representa o que pensas sobre poesia ou sobre uma imagem de carácter poético? Saberias dizer por quê?

Três dimensões do poema

Já estudaste a sonoridade e as imagens na construção poética; neste módulo aprofundas sobretudo a dimensão conceitual — o pensamento, as ideias, o raciocínio que o poema articula.

Três dimensões da criação poética Três círculos sobrepostos: sonora, imagética e conceitual. Dimensão sonora ritmo · musicalidade métrica · rimas aliterações Dimensão imagética representações mentais e visuais descrições figuras de linguagem Dimensão conceitual raciocínio · pensamento · ideias

Leitura

Leitura

No 8º ano trabalhaste o texto Papo de Poeta, de Ulisses Tavares. Agora lê duas definições de poesia em forma de verso, de autores e estilos muito diferentes.

Florbela Espanca

Versos! Versos! Sei lá o que são versos... Pedaços de sorriso, branca espuma, Gargalhadas de luz, cantos dispersos, Ou pétalas que caem uma a uma... ESPANCA, Florbela. “Versos”. A mensageira das violetas: antologia. Seleção e edição de Sergio Faraco. Porto Alegre: L&PM, 1999.

Oswald de Andrade

Aprendi com meu filho de dez anos Que poesia é a descoberta Das coisas que eu nunca vi ANDRADE, Oswald de. “3 de maio”. Pau Brasil. Paris: Sans Pareil, 1925. p. 53.

Antonio Cicero — introdução

Os textos seguintes — do filósofo, poeta e letrista Antonio Cicero — também tratam desse assunto. Lê-os com atenção.

Texto I

Não interpretamos os versos de um poema como interpretamos a linguagem cotidiana fora do seu contexto poético. O poema é uma totalidade de sentido; isolar um verso e lê-lo como se fosse um aviso na rua é desconhecer a forma como a linguagem poética organiza a mensagem.

Uma história sobre Matisse ajuda a visualizar essa ideia: diante de críticos que cobravam da tela uma reprodução “fiel” da realidade, o pintor respondia polidamente que a obra não era a coisa representada, mas um objeto de arte — cor, forma, composição. O poema é análogo a uma pintura: não é um documento jornalístico, é construção artística com leis próprias.

CICERO, Antonio. A filosofia e a língua alemã. Folha de S. Paulo. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/…/fq0205200726.htm. Acesso em: 14 jul. 2015.

Música, de Henri Matisse, 1939 (óleo sobre tela, 115 cm × 115 cm).

Texto II

O poema é, antes de tudo, um objeto de arte. Como um retrato de Rembrandt, o que importa não é só perguntar se a figura “corresponde” à pessoa que posou, mas perceber o trabalho de luz e sombra, a cor, o traço, a tensão que a pintura constrói — e não apenas a semelhança com um modelo real.

Nos poemas, o essencial não é um inventário de coisas concretas, como pedras num caminho, mas sons, ritmos, sugestões: é disso que eles são feitos.

CICERO, Antonio. Poesia e filosofia. Folha de S. Paulo. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/…/fq0205200730.htm. Acesso em: 14 jul. 2015.

Retrato de um velho em vermelho, de Rembrandt, c. 1652–1654 (óleo sobre tela, 108 cm × 86 cm).

Ensino Fundamental — Anos finais · 9º ano.

Resumo